Wiliam do Carmo Oliveira – Mestre Obashanan – era sacerdote e etnomusicólogo que seguiu em vida os preceitos da Umbanda Esotérica e Nação Igala. Somos signatários da mesma doutrina, hoje endossada por Terra Úmida e Pedra Preta – Templo Iniciático de Umbanda Esotérica, sob a regência de Mestre Arakamby e Mestra Aryacy.
Em 2023, nossa casa herdou, por ocasião da passagem de nosso Mestre e por desejo dele, um acervo inestimável de obras musicais e literárias que se fundiram à nossa discoteca e biblioteca já existentes, resultando na maior discografia de terreiro do Brasil e, também, no maior acervo de livros esotéricos do Rio Grande do Sul.

Essa será sempre uma referência de local de estudo disponível para todos, de forma democrática e gratuita, mantendo os portais do conhecimento abertos para neófitos, médiuns, sacerdotes e acadêmicos de qualquer vertente religiosa.
Devido ao teor devocional de culto ao ancestral ilustre e inspirados por sua Vida e Obra, nosso espaço cultural esotérico recebeu o nome de “Biblioteca Mestre Obashanan”, tendo sido fundada em 11 de junho de 2023, um ano após o falecimento do nosso Onu Igala do Brasil.

Porto Alegre, 4 de novembro de 2025

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DA BIBLIOTECA MESTRE OBASHANAN

Terça a sexta-feira, das 10h às 12h, das 13h às 17h30min
Sábado, das 14h às 16h
Domingos e segundas-feiras, a Biblioteca Mestre Obashanan fica fechada para manutenção e demandas internas.

Acervo digital

Participe do grupo da biblioteca no facebook, memória viva da cultura de nossa biblioteca

Diga como se faz a festa…

Pela primeira vez
num Lá
bem longe…
Surge Ayan
em seu tambor de dormir.
Envolta por mistério profundo.
Dança ao toque de sua potestade.
Ouve-se a percussão da vida
e a música vira entidade.
É o ritual que inicia.
Nasce no mundo
o contágio por esta tal alegria.

À Mestre Obashanan,
por sua discípula Aryacy

Setembro de 2011

PREFÁCIO NUNCA PUBLICADO

TEOLOGIA UMBANDISTA – Do Movimento à Convergência
Tão logo recebi o chamado, próprio de todo o iniciado, fui quase que imediatamente conduzida para o Templo da Estrela Verde, e isso já faz alguns bons anos. Evidente que esse é um resumo que omite as particularidades pelas quais cada um deve percorrer. Em geral, são os Mestres que prefaciam seus discípulos, mas essa é mais uma lição que a presença de Mestre Obashanan nos impõe refletir. Como todo o caminhador, sou feita do fato de ter endossado certos saberes e, portanto, abarquei alguns doutrinadores, que penso que convergem. No entanto, não bastam palavras ao vento, na prática, entreguei a esse Mestre a tarefa de me conduzir… e uma vez que o escolhi, nunca mais duvidei que ele seria o único capaz de fazê-lo.
Esse livro prenunciava sua reedição já em seu lançamento em 2001, pois a convergência resulta no próprio tao e quem, de fato, atua como caminhante verdadeiro, se revisa, se amplia fazendo da própria vida uma obra aberta. Então, essa é uma edição que não começou e nem tem fim, ela simplesmente existe no instante presente e você leitor é merecedor dessa síntese, manifesta em letras. Não basta ler, é preciso merecer; merecendo é possível decodificá-la. Embora você possa pensar estar em contato com a possibilidade de ascender intelectualmente, essa é uma jornada do espírito, e por isso, um convite ao amor. Convergência é amar – um outro Mestre teria dito isso, um pouco antes de pregarmos o seu corpo, agora é nosso dever pregar suas palavras.
E por falar em palavras, as que foram entregues ao fogo não queimaram, transmutaram, e reascendem serpentinamente, iluminando consciências, presenteando os ávidos por desvendarem a Grande Obra. Somente um guardião da música, um mestre dos tambores poderia carregar Ayan em seu colo e devolvê-la, sempre recém nascida, a essa Umbanda de todos nós. O Orixá funfun, desperta dentro dos tambores, ressurge para que todos se reconciliem com o som dos tempos imemoráveis, o mistério do verbo e retome o silêncio que assusta tempos tão espetacularizados. A reconstituição histórica que veicula a antiga doutrina secreta, sua passagem pelo Egito, com o povo Igala e o esoterismo de Umbanda no Brasil, só poderia ser tecido por quem tinha a chancela de merecer cada peça do delicado quebra cabeça – esse seria um único homem com paciência e cura para remontá-lo. E devemos aguardar outros títulos.

Nossa capacidade mnemônica nos diferencia de muitas espécies de animais e por sua vez, a Sagrada Corrente Astral de Umbanda, dimensão cósmica, tornada religião no Brasil se funda grande parte em sua tradição oral, assim sendo, somos a resistência da memória – então, essa é também a história de um investigador que a partir de ouvir dizer, de presenciar fatos, uniu todas as evidências que provassem o que muitos desdenhosos queriam fazer crer, não existisse.
O altar que cultuamos, cuja as sete linhas se desdobram em suas contrapartes femininas ou masculinas, aguardava ansioso por mais esse mistério revelado. Todo o povo de Santo encontra agora ainda mais sentido em seu culto…
Já somos filhos do sincretismo, que é parte integrante do movimento de convergência, germe que pretende a síntese cósmica, a universalidade compreendida no entendimento do Ombhandhum. Oportunamente, parafraseio Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, dizendo a Mestre Obashanan que siga a sua vasta obra e erga “em cada canto da sua alma um altar a um deus diferente”.

Salve as entidades que guardam minha casa mãe! Salve meu Mestre!

Mestra Aryacy – Ialorixá Silvia ty Oyá
Terra Úmida Pedra Preta – Templo Iniciático de Umbanda Esotérica
Ilê Asé Funfun Ajagunã e Oyá

Discípula de Mestre Obashanan

De Mestre Obashanan, para Mestra Aryacy

Eu te olho e vejo temperança…
A temperança é uma atitude interior radical e profunda que se expressa sempre que pode em sentimentos, pensamentos e ações. Quando ela se manifesta é porque o espírito tomou as rédeas de suas manifestações de um modo consciente e racional. Não nega a si mesmo e também não nega suas exteriorizações. Não dualiza, nem fragmenta, não opõe, nem rivaliza. Afirma a unidade absoluta do real. Paira sereno e tranquilo sobre todas as aparentes dualidades do mundo e, por isso, torna-se pacífico, buscando reconciliação em tudo e sempre.
A temperança, portanto, é uma arte. Não há arte desmedida sem proporção. A falta de temperança é inteiramente incompatível com o belo e só pode gerar o bizarro e a fealdade. A temperança é o requisito imprescindível para a beleza e harmonia, pois é o que faz transparecer, na opacidade da matéria, o esplendor do espírito que a anima. Sou (somos) um iniciado. Ser eu mesmo é um luxo ao qual nem sempre posso ceder. E eu cedi as suas lições de temperança. Eu senti medo de tudo que há para temer e isso só me deixou mais forte. O suficiente para que ainda me fizesse resistir, reencontrar e entender o porquê continuei.
A vida é o conjunto das funções que resistem à morte. Você minha Chloris, minha leoa, é o conjunto que me fez permanecer . Não há mais mortes, nem funerais. Você é minha pátria e meu solo. Minha terra pura. Por ti renasço. Pois olhei pra você e vi minha alma não terminada.
Eu sempre te amarei!

Obashanan

Poemas de Aruanda

Os poemas desta página evocam os mistérios da Sagrada Corrente Astral de Umbanda

Na luz da Umbanda Esotérica, toda forma é símbolo e todo símbolo é portal para o divino.

Estrada Jorge Pereira Nunes, 297
Campo Novo, Porto Alegre – RS
CEP 91787-590

 :
 :
 :

Pedra Preta © 2025. Todos os direitos reservados. Estrada Jorge Pereira Nunes, 297 – Campo Novo, Porto Alegre – RS, 91787-590. É proibida a reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização expressa da instituição.